Por: Equipe InfoMoney
25/02/10 – 15h17
InfoMoney
SÃO PAULO – Diante de novos sinais de apreensão emitidos pela Europa e pelo aumento no pedido de auxílios-desemprego nos EUA na última semana, o clima de pessimismo toma conta dos mercados nesta quinta-feira (25), mantendo os principais índices acionários do mundo no campo negativo. Por aqui, o Ibovespa recua 1,3% nesta tarde.
Na Europa, a Grécia volta a ser o foco das atenções, após as agências de classificação de risco Standard & Poor’s e Moody’s levantarem a possibilidade de reduzir o rating do país, caso ele não consiga aplicar seus planos de reforma fiscal. Ainda no velho continente, o volume de crédito concedido ao setor privado em janeiro e a confiança do consumidor europeu em fevereiro apresentaram queda.
Passando para os EUA, a agenda de indicadores também não é animadora, com o Initial Claims atingindo um total de 496 mil novos pedidos de auxílio-desemprego na última semana, superando as projeções dos analistas, que giravam em torno de 460 mil. Amenizando esses números, o total de pedidos de bens duráveis à indústria norte-americana cresceu mais do que o esperado em janeiro.
No front doméstico, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) apontou inflação de 1,18% no mês de janeiro, acima das estimavas do mercado, que, segundo a última edição do Relatório Focus, esperava variação positiva de 0,80% no mês. Por fim, o superávit primário do governo ficou em R$ 16,185 bilhões no primeiro mês do ano.
Petrobras: resultado adiado e novas descobertas
Além da movimentada temporada de resultados no âmbito interno, o noticiário corporativo também ganha importância, tendo a maior empresa brasileira em valor de mercado – a Petrobras (PETR4) – aparecendo por duas vezes. Primeiramente, a companhia informou duas novas descobertas de acumulações de óleo na Bacia de Campos, com projeções preliminares de um volume de 40 milhões de barris.
Logo após a descoberta, a estatal petrolífera comunicou ao mercado que a divulgação de seu balanço trimestral – que seria apresentado na próxima sexta-feira (26) – foi adiado por conta da protelação de uma reunião do Conselho de Administração, que estava agendada para o mesmo dia. A nova data de divulgação será anunciada em breve. Enquanto isso, seus papéis preferenciais operam em queda de 0,65%.
Siderúrgicas em alta
Em meio à queda de praticamente todas as ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa, duas empresas conseguem se distinguir do movimento do restante dos mercados: Usiminas (USIM3, USIM5) e Gerdau (GGBR4). Ambas as empresas divulgaram seus resultados referentes ao quarto trimestre de 2009.
A primeira companhia viu o lucro cair 32% em comparação ao mesmo período de 2008, ficando em R$ 663 milhões, mesma tendência vista em sua receita líquida e Ebitda (geração operacional de caixa). Contudo, os planos de otimização de seus negócios em minério de ferro, o possível IPO (Initial Public Offering) de sua controlada e a associação firmada com as empresas Codepar e Isa Participações, colaboram para que seus ativos PNA e ON liderem os ganhos no índice, com alta de 2,6% e 2,55%, respectivamente.
Já a Gerdau viu seu lucro líquido passar de R$ 311 milhões para R$ 643 milhões na comparação entre os últimos três meses de 2008 e 2009, indicando uma expansão de 106%. Apesar da receita líquida e do Ebitda terem recuado na mesma base comparativa, os papéis da siderúrgica vêm logo atrás da Usiminas, com alta de 2%. Sua subsidiária, a Gerdau Metalúrgica (GOAU4), também figura entre os destaques do Ibovespa, subindo 1,9%.
Resultados do Ibovespa: BB, Klabin e Natura
Outras empresas de forte peso na composição do índice paulista também apresentaram seus dados contábeis. É o caso do Banco do Brasil (BBAS3), que no período de outubro a dezembro somou ganhos de R$ 4,15 bilhões, encerrando desta forma seu exercício de 2009 com um lucro líquido total de R$ 10,14 bilhões – recorde histórico no setor bancário brasileiro. Contudo, seus papéis são negociados com desvalorização de 2,3%.
Dando sequência à temporada de resultados, a Klabin (KLBN4) teve um lucro líquido de R$ 333 milhões no acumulado de 2009, revertendo o prejuízo de R$ 349 milhões amargado em 2008. Seus papéis declinam 2%. Já a Natura (NATU3), que também constatou melhora em seu desempenho na comparação anual, vê seus ativos recuarem 1,7% nesta tarde.
Outros resultados: Marcopolo, Providência e Indusval
Empresas de menor porte listadas na bolsa também lançaram seus resultados. A Marcopolo (POMO4) é uma delas, cujo lucro líquido cresceu 1,6% entre 2008 e 2009, atingindo a cifra total de R$ 136,5 milhões. Os papéis da compania recuam 1,9% nesta tarde.
Já a Companhia Providência (PRVI3) reportou ganhos de R$ 50,9 milhões no acumulado do ano passado, alta de 26,6% ante o exercício anterior. A despeito do bom desempenho anual, seu lucro líquido caiu 42,9% no quarto trimestre de 2009 frente ao mesmo período de 2008. Os papéis da empresa operam em queda de 1,9%.
Por fim, o Banco Indusval (IDVL4) lançou seus resultados na noite passada. O banco reportou lucro líquido de R$ 4,4 milhões entre outubro e dezembro do ano passado. O montante representa queda de 67,4% frente aos mesmos meses de 2008, mas grande melhora frente ao prejuízo de R$ 7,8 milhões amargado no trimestre imediatamente anterior. As ações recuam mais de 4%.
GOL divulga guidance
Enquanto isto, a GOL (GOLL4) divulgou seu guidance para o ano. Entre as principais projeções lançadas pela empresa, está o crescimento de demanda para o setor aéreo brasileiro entre 12,5% e 18%, ou 2,5 e 3 vezes o PIB (Produto Interno Bruto) do País. Os papéis da companhia aérea são negociados com desvalorização de 3,5% no Ibovespa.
ADRs de Eternit e Cielo
A Eternit (ETER3) aprovou o programa de lançamento de ADRs (American Depositary Receipts), através do qual terá ações negociáveis em Wall Street. O Bradesco será a instituição custodiante das ações no Brasil que lastrearão os ADRs nos EUA. Já o Bank of New York Mellon agirá como instituição depositária. Os papéis da empresa recuam 1,2% na bolsa brasileira.
A Cielo (CIEL3) também informou em nota detalhes de seu lançamento de ADRs, dentre os quais incluem-se as escolhas da instituição custodiante, Bradesco, e do banco depositário, Deutsche Bank. Assim como a Eternit, a proporção escolhida foi de uma ação ordinária para cada ADR. Os ativos negociados na BM&F Bovespa sofrem queda de 2,3%.